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SYLVIA TELLES E BRITTANY MURPHY: MESMO TEMPO DE VIDA E TALENTO PARA CANTAR


A cantora brasileira Sylvia Telles - ou Sylvinha Telles, como era também conhecida - tem muitos aspectos comuns com Brittany Murphy: o tempo de vida de 32 anos, o surpreendente talento para cantar e as tragédias ocorridas na véspera dos feriados finais de determinados anos.

Sylvia Telles foi uma das maiores cantoras do Brasil e esteve associada ao movimento da Bossa Nova. Começou carreira em 1954 e fez parte de uma jovem geração de artistas que, num colégio do Rio de Janeiro, o Grupo Universitário Hebraico, participaram dos samba sessions com forte acento jazzístico, evento que teria sido um dos "batismos" da Bossa Nova, pois o grupo era classificado pela divulgadora da escola como "os bossa-nova".

A carreira de Sylvia durou apenas 12 anos. Foi bastante produtiva e Sylvia, embora tenha composto muito pouco, sendo mais intérprete de canções alheias, tinha um estilo pessoal de voz, até hoje insuperável. Uma voz que poderia ser meiga e sensual, graciosa ou comovente, de uma interpretação intensa e espontânea que nada tem a ver com a grandiloquência artificial de muitas cantoras hoje que mais gritam e gesticulam do que cantam.

A própria Brittany Murphy, aparentemente "apenas uma atriz", era na verdade uma aspirante a cantora de carreira, que no entanto não teve oportunidade para ir adiante e seguir uma trajetória paralela à de atriz. Seu talento, com uma voz passional e belíssima, se compara a de Sylvia, e ficamos imaginando como seria hoje se ambas estivessem vivas, Sylvia com 82 anos e Brittany, com 39 anos, se encontrando para trocar ideias e dar uma palhinha, mesmo que seja para entrevista de TV.

Sylvia nasceu em 27 de agosto de 1934, no município do Rio de Janeiro. Foi casada duas vezes, a primeira com o músico José Candido de Mello Matos, o Candinho, pai de sua filha, a hoje cantora, musicista e compositora Cláudia Telles, e a segunda, com o antigo músico do Bando da Lua, que acompanhava Carmen Miranda, Aloísio de Oliveira, depois diretor do selo Elenco, que reuniu artistas bossanovistas.

Sylvia fez turnês em vários países. Em 1961, excursionou pelos EUA e gravou o disco Sylvia Telles USA, com canções de Bossa Nova nas letras originais ou em versões em inglês e outras canções também gravadas em no idioma estadunidense.

BRINCANDO COM CACHORRINHO.

Em 1966, gravou um disco com Edu Lobo, Tamba Trio e outros conjuntos, intitulado Reencontro. Fez turnê de divulgação deste disco com o próprio Edu, na Alemanha, último país por ela visitado (a título de comparação, o último país visitado por Brittany foi Porto Rico, para uma tentativa de negociar com os produtores de um filme com a participação dela cancelada por divergências profisisonais).

Sylvia também teve, entre suas últimas apresentações, uma aparição na TV Excelsior naquele ano (ver vídeo abaixo), uma compensação para um acervo televisivo que em boa parte se perdeu, mostrando um registro de uma cantora que não está mais entre nós.

Em 17 de dezembro de 1966, com apenas 32 anos, ela e seu namorado Horácio de Carvalho Filho - filho do dono do jornal Diário Carioca e da socialite Lily de Carvalho (depois esposa de Roberto Marinho, da Rede Globo) - morreram num desastre automobilístico na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), na altura de Maricá, quando estavam a caminho da fazenda de Horacinho. O rapaz teria dormido no volante. Dois anos antes, Sylvinha saiu ferida num outro acidente.

Foi outra tragédia de dezembro, antes da virada de estação e da chegada do feriado de fim de ano (que inclui Natal e Reveillon). A de 17 de dezembro, que nos tirou Sylvinha, e a de 20 de dezembro, que nos tirou Britt. Ambas abreviando suas vidas aos 32 anos, deixando grande lacuna devido aos seus talentos impressionantes e suas personalidades fortes.

 

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